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Cinema Latino

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Walter Hugo Khouri


Walter Hugo Khouri nasceu em São Paulo em 21 de outubro de 1929. Realizou 25 longas-metragens. Os filmes mostram personagens que buscam sentido para a existência angustiante. Khouri conquistou vários prêmios nacionais e internacionais.

Sua obra, influenciada por cineastas como Ingmar Bergman e Michelangelo Antonioni, pelo jazz, por escritores como D. H. Lawrence e Albert Camus e por filósofos como Espinoza, é bastante pessoal e homogênea, passada ao largo das formulações de fundo social do Cinema Novo, dentro de uma estética e de uma preocupação existencialistas mais assimiladas às cinematografias europeias do Primeiro Mundo, o que lhe valeu não poucas críticas ao longo da carreira. Mesmo após a sua morte, o conjunto de seus 25 filmes divide opiniões. Uma parcela da crítica e da Academia o considera um verdadeiro mestre, detentor de uma marca autoral desenvolvida com domínio e talento. Às latentes observações de ausência de uma identidade cultural brasileira e afeita aos seus correspondentes movimentos artísticos, responde se tratar do reflexo do próprio cosmopolitismo característico de São Paulo, cidade onde Khouri nasceu e desenvolveu toda a sua carreira; outra parte (notadamente influenciada pelo sistema de pensamento antropofágico de Paulo Emílio Salles Gomes), por sua vez, ainda endossa os ataques perpetrados pelos membros do Cinema Novo, o vendo como um cineasta alienado política e esteticamente, um mero copiador e estetizador do trabalho de grandes diretores europeus e japoneses, cujas linhas-mestras soam deslocadas e inadequadas em um país marcado por contradições e com um processo histórico-cultural próprio, como é o Brasil (dentro desse raciocínio, Khouri é alçado como o mais fidedigno sucessor do projeto de cinema da antiga Vera Cruz, paradigma de estrangeirismo contra o qual também o Cinema Novo e o Teatro de Arena passam a combater na erupção de seus movimentos). Já em termos mais técnicos, ao mesmo tempo em que sobram elogios à fotografia, à composição de quadro e à direção de arte de suas películas, igualmente não faltam críticas à direção de atores, à escrita dos diálogos (soados "artificiais", segundo alguns) e à condução arrastada de seus enredos.
O principal filme Noite vazia, realizado em 1964, que aborda quatro personagens, dois homens e duas prostitutas em conflito com suas vidas, tendo como pano de fundo a ascendente metrópole paulistana dos anos 60, o consagrou e até hoje é considerado o melhor longa, apresentando uma edição de fotografia magnífica e grandes atrizes.

Principais prêmios:
    Ganhou prêmio de "Melhor Roteiro" do Festival Internacional de Mar del Plata em 1960, pelo filme Na Garganta do Diabo.
    Ganhou o Prêmio Saci dez vezes, nas categorias de argumentista, roteirista, diretor, produtor e montador, pelos filmes O Estranho Encontro, Na garganta do diabo, O gigante de pedra, A ilha, Noite vazia, Corpo ardente.
    Prêmio Instituto Nacional de Cinema e Coruja de Ouro, como melhor diretor nos anos 1966, 1967 e 1972, pelos filmes Corpo ardente, As amorosas e As deusas.
    Por doze vezes ganhou o Prêmio Governador do Estado de São Paulo, como argumentista, roteirista, diretor e produtor, pelos filmes O estranho encontro, Noite vazia, O corpo ardente, A ilha, Fronteiras do inferno, Paixão e sombras, O último êxtase, O palácio dos anjos e As amorosas.
    Prêmio Vittorio de Sica, no Festival de Sorrento, na Itália, em 1988, pelo conjunto da obra.
    Menção Especial no Festival de Santa Margherita Ligure, pelo filme Na garganta do diabo, em 1960.
    Prêmio dos jurados no Festival Internacional de Sitges, na Espanha, pelo filme O anjo da noite, em 1974.
    Por três vezes ganhou o Prêmio da Associação Paulista de Críticos de Arte pelos filmes O anjo da noite (1973), O último êxtase(1974) e Eros (1981).
    Prêmio Fábio Prado de Literatura para roteiros pelo filme A ilha.
    Menção Honrosa na Semana Internacional de Cine en Color de Barcelona, pelo filme As deusas.
    Por nove vezes ganhou o Prêmio Cidade de São Paulo, da municipalidade paulista, em diversas categorias e filmes, de 1958 a 1968.
    Prêmio Governador do Estado de "Melhor Argumento" para o filme Amor voraz.
    Prêmio Samburá no Fest-Rio Fortaleza, em 1989, pelo conjunto da obra.
    Prêmio Oscarito da Fundação Cultural Banco do Brasil.
    Prêmio "Resgate do Cinema Brasileiro" do Ministério da Cultura - com roteiro de "Paixão Perdida" 1994
    Prêmio Riofilme - "Paixão Perdida" - 1995
    Premiação no Programa de Integração Cinema-TV/Co-Produção com a TV Cultura - "Paixão Perdida" - 1996

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